O Banco Central (BC) manifestou preocupação com expectativas inflacionárias crescentes, enquanto busca trazer o índice anual de preços ao consumidor de volta à sua meta de 3%.
Por Redação, com Reuters – do Rio de Janeiro
No início de maio, a inflação acumulada em 12 meses no Brasil ultrapassou o limite superior da banda da meta do Banco Central (BC) pela primeira vez desde outubro de 2025, segundo dados oficiais divulgados nesta quarta-feira, levantando dúvidas sobre até onde o ciclo de afrouxamento monetário pode ir.

A inflação anual na maior economia da América Latina ficou em 4,64% na primeira quinzena de maio, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acima dos 4,37% registrados no mês anterior e da previsão de 4,55% feita por economistas consultados pela agência inglesa de notícias Reuters.
O Banco Central (BC) manifestou preocupação com expectativas inflacionárias crescentes, enquanto busca trazer o índice anual de preços ao consumidor de volta à sua meta de 3%, com uma margem de tolerância de mais ou menos 1,5 ponto percentual.
Conflito
Economistas consultados semanalmente pelo BC preveem que a inflação fechará este ano em 5,04% e 2027 em 4,01%, devido ao prolongamento do conflito entre EUA, Israel e Irã e aos crescentes temores de um choque de oferta ligado a um forte padrão climático El Niño.
A autoridade monetária reduziu sua taxa básica de juros no mês passado em 25 pontos-base pelo segundo encontro consecutivo, para 14,50%, mas deixou em aberto seu próximo movimento, marcado para 16 e 17 de junho, dada a incerteza. Embora a pesquisa do banco ainda aponte para custos de empréstimo de 13,25% até o final do ano, alguns economistas agora esperam um ciclo de flexibilização mais suave, refletindo também uma atividade econômica resiliente.
No início desta semana, o Citi previu uma taxa de juros de 13,75% para o final do ano e prevê novos cortes apenas no segundo semestre de 2027, citando a desancoragem das expectativas de inflação e um tom mais agressivo do Banco Central.
Alimentos
No mês até meados de maio, os preços ao consumidor subiram 0,62%, desacelerando em relação ao aumento de 0,89% registrado no mês anterior. Economistas consultados pela Reuters previam uma alta de 0,53%.
O aumento foi impulsionado principalmente pelos preços de alimentos e bebidas, que subiram 1,38%. Os custos de habitação e saúde também aumentaram, enquanto os preços dos transportes caíram após o choque do preço do petróleo em março, ligado ao conflito no Oriente Médio.
Em relação ao mês anterior, no entanto, o IPCA-15 desacelerou a 0,62%, após marcar 0,89% em abril.
— A desaceleração do IPCA-15 é bem-vinda, mas não é suficiente para trazer maior tranquilidade ao Copom para a condução da política monetária. O contexto ainda é muito influenciado pelos choques de oferta, seja do petróleo, seja do clima, situação que deve continuar pressionada nos próximos meses com a elevada probabilidade de ocorrência de um El Niño forte, que deve pressionar os preços de alimentos e energia elétrica — resumiu André Valério, economista sênior do Banco Inter.