Na avaliação de agentes da PF que acompanham o processo, ouvidos pela mídia conservadora, o desgaste não se limita ao STF e pode avançar por vias externas à Corte.
Por Redação – de Brasília
Diante dos fatos que marcam a investigação do ‘maior escândalo financeiro da História brasileira’, segundo classificou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a situação político-administrativa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli torna-se insustentável. De acordo com investigadores da Polícia Federal (PF) que integram o inquérito do Banco Master, as suspeitas que pesam sobre o ministro, no caso, tendem a se agravar.

Na avaliação de agentes da PF que acompanham o processo, ouvidos pela mídia conservadora, o desgaste não se limita ao STF e pode avançar por vias externas à Corte. Segundo essas fontes, o problema seria estrutural, com frentes de apuração que não estão sob a condução direta de Toffoli, sequer concentradas no Supremo.
Conforme tais entendimentos, há o risco de que novas revelações surjam fora do alcance do relator e ampliem a crise. O alerta já foi levado diretamente à maioria dos ministros do STF, com a advertência de que o caso tem potencial para “arrastar o tribunal para a lama”, convertendo um problema individual em uma ameaça institucional.
Gravidade
Nos bastidores, de acordo com as apurações, a avaliação interna é descrita como dura e pragmática. Há integrantes da Corte que consideram o quadro complexo demais para que Toffoli permaneça à frente do processo e defendem uma solução considerada técnica, com o envio do caso à primeira instância. Tal alternativa se apresenta como a alternativa mais viável, do ponto de vista jurídico, para que Toffoli possa sair do centro do escândalo.
A decisão, no entanto, depende do próprio Toffoli. A hipótese de um afastamento voluntário da condução do caso não é considerada factível, uma vez que não haveria expectativa de concordância do ministro com essa alternativa.
Há, ainda, uma queixa generalizada na Corte sobre a condução política da crise. Segundo esses relatos, não houve uma tentativa institucional coordenada de diálogo que buscasse construir uma saída antes que o impasse ganhasse dinâmica própria. Com isso, a crise extrapolou os limites jurídicos e antecipou a politização do tribunal.
Aposentadoria
Até o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já teria perdido a paciência com o magistrado que ele próprio indicou à Corte Suprema. Lula teria manifestado irritação com a conduta de Toffoli na relatoria do inquérito do Banco Master, chegando a dizer a auxiliares que o magistrado deveria deixar a Corte, por renúncia ou aposentadoria. Lula acompanha de perto o andamento do caso e as repercussões políticas e institucionais sobre a atuação do relator.
As informações, relatadas na edição desta segunda-feira do diário conservador paulistano Folha de S.Paulo, que afirma ter colhido depoimentos de interlocutores, o presidente, em conversas reservadas com ao menos três auxiliares, fez comentários considerados duros sobre Toffoli e sinalizou que não pretende defendê-lo diante das críticas que se acumulam contra o ministro.
Nos relatos citados, Lula pretende chamar Toffoli para uma nova conversa sobre sua conduta no inquérito. Ambos já conversaram sobre o tema no fim do ano passado. Apesar do tom dos desabafos atribuídos ao presidente, colaboradores duvidam que Lula leve adiante a ideia de pedir formalmente ao ministro que se afaste do tribunal ou mesmo que abra mão da relatoria do caso.