Mandatário defende a liberação de armas, para matar ‘serial killer’

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Publicado terça-feira, 22 de junho de 2021 as 14:06, por: CdB

Visivelmente alterado pela pressão popular, o presidente Bolsonaro voltou a defender o uso de armas domésticas para combater o que ele chama de “serial killer”. Diante da realidade contra a qual se choca, diariamente, em alta velocidade, Bolsonaro afirmou, na véspera pela manhã, ao falar com apoiadores em frente ao Palácio da Alvarorada, que é um “milagre” o fato de ainda estar no governo.

Por Redação – de Brasília

Ao manter a aposta no negacionismo quanto à pandemia e a defesa no armamento da população, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) começa a perceber o risco de ter seu mandato encerrado antes do tempo. Aos seus eleitores, o mandatário neofascista passou a culpar que a Imprensa quer desmoralizar seu governo quando, no entanto, apresentam apenas os números reais da covid-19, no país.

No chamado ‘curralzinho’ do Palácio da Alvorada, o presidente Bolsonaro destila sua retórica sobre os assuntos que lhe interessam

Bolsonaro também voltou a defender o uso de armas domésticas para combater o que ele chama de “serial killer”. Diante da realidade contra a qual se choca diariamente, em alta velocidade, Bolsonaro afirmou na véspera, pela manhã, ao falar com apoiadores em frente ao Palácio da Alvarorada, que é um “milagre” o fato de ainda estar no governo.

O presidente percebeu a extensão da repulsa popular ao seu mandato diante da forte pressão popular para o seu impedimento, expressada em protestos no sábado. Bolsonaro também falou sobre o número emblemático de 500 mil mortos pela covid-19 no país e, mais uma vez, cogita a existência de uma “jogada política” para que os números sejam maiores do que realmente são, e assim possam prejudicar sua imagem.

— As mortes parecem que interessam para a TV Funerária. A TV Funerária entrou em êxtase quando atingiu as 500 mil mortes — disse Bolsonaro, em referência à Rede Globo de Televisão.

A emissora tem sido alvo do presidente e seus apoiadores que a apelidaram de “Globolixo“. Na visão dos mesmos, o canal foca em desgastar o governo através da divulgação dos números e da situação da pandemia no país.

‘Curralzinho’

Em um ato autoritário e de forte hostilidade à imprensa, na véspera, Bolsonaro mandou uma repórter da emissora “calar a boca” quando a mesma lhe perguntou sobre o porquê de o presidente não ter usado máscara nos passeios de motocicleta que têm feito com eleitores.

Irritado, Bolsonaro disse que “chega como quiser, onde eu quiser, eu cuido da minha vida. Se você não quiser usar máscara, não usa”. Em seguida, o mesmo tira a máscara e pergunta se a repórter está feliz.

— Essa Globo é uma merda de imprensa. São uma porcaria. Cala boca! Vocês fazem um jornalismo canalha — vociferou o ex-militar.

Na mesma toada junto aos seguidores, no chamado ‘curralzinho’, Bolsonaro comentou a pergunta de um deles questionando o caso de Lázaro Barbosa, conhecido como “serial killer do Distrito Federal”, o qual a polícia tenta capturar há duas semanas. Lázaro Barbosa é procurado desde o dia 9 de junho por ter assassinado quatro pessoas de uma mesma família com tiros e facadas. Desde o início da fuga, o mesmo invadiu pelo menos 12 propriedades rurais e fez uma série de reféns.

Comparação

À pergunta, o chefe do Executivo respondeu que apesar de o criminoso ter entrado em uma casa, ele não ficou no local ficou porque o dono do imóvel portava uma arma, e disse que “no que depender de mim, todo mundo que quiser vai ter arma. Os vagabundos têm”.

— Parece que ele tentou invadir uma casa aí, não entrou porque o cara estava armado. Não é o Estatuto do Desarmamento que vai dar tranquilidade para você — disse Bolsonaro.

Em fevereiro, o governo desburocratizou parte dos procedimentos sobre uso de armas no país. A medida, divulgada no site do governo federal, aumentou a clareza sobre a regulamentação, reduziu a discricionariedade de autoridades e deu garantia de contraditório e ampla defesa para quem as possuí.

Em janeiro, a Polícia Federal registrou aumento de 90% em 2020, em comparação a 2019, de novos registros de armas de fogo no Brasil, sendo também o maior número já registrado pela PF.

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